Essas mulheres...

O nosso blog está renovado em novo formato. Vamos continuar divulgando mulheres vencedoras, pioneiras, líderes e que venceram com seus talentos nos mais diversos segmentos da sociedade e que hoje brilham, ocupam o pódio antes reservado aos homens. A mulher cangaceira aqui, não tem o sentido exato da palavra (aquela que andava em bandos com cangaceiros), mas significando liderança, vitória conquistada através do valor individual. Entretanto, a proposta inicial permanece: destacar as mulheres que de alguma maneira se envolveram com o Cangaço “sem perder a ternura”. Todas são Marias Bonitas.

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A IRMÃ DE LAMPIÃO

Maria Ferreira de Queiroz era a sétima irmã de Virgolino  também nascida no Sítio Passagem das Pedras , zona rural de Serra Talhada, Pernambuco, às margens do Riacho São Domingos.  Recebeu o apelido de Mocinha e chegou aos 102 anos de idade sendo chamada de Mocinha. Ela não viveu o Cangaço, mas acompanhava a vida perigosa do irmão famoso. Confessou, que só esteve com ele apenas uma única vez quando sua fama ultrapassava fronteiras. Para ela, Lampião “era tudo” e nunca se conformou com o seu assassinato. ” Mataram ele como se mata um bicho, e isso não se faz com ser humano”. Como toda biografia dos cangaceiros é controvertida, a de Mocinha não foge à regra, mesmo sem ter entrado no bando, pois há contradições com relação a sua idade. Ela tinha dois documentos com datas diferentes no ano de nascimento. Um, de 1910 e outro de 1906. Assim, ela teria morrido com 106 anos e não aos 102 como foi divulgado. Estava morando em São Paulo, no bairro de Santana na companhia de dois filhos: Expedito e Valdeci. Em 2009, dona Mocinha teve uma grande alegria, veio ao Recife conhecer parte dos descendentes dos Ferreira. Eram sobrinhos, primos, netos e bisnetos. Foram cinco dias de confraternização. Entre as netas, Sandra Queiroz, da Polícia Civil. Dona Mocinha morreu em 2012 de insuficiência...

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ÁUREA, “MISS SIMPATIA”

  O Cangaço teve seus momentos tristes, cruéis, sangrentos e não menos chocantes. Alegrias existiram sim, eram poucas, mas intensas. As mulheres entraram nesse mundo, por três motivos: paixão pelo companheiro, fuga (para sair do domínio paterno) e rapto. A maioria não entrava enganada, sabia da vida perigosa que iria ter, mas o desconhecido não amedrontava. Áurea, era sergipana filha de Tonho Narcísio, nascida em Pau Preto. Baixinha, magra, cabelo pixaim e tinha uma “cor de formiga”, como diz o pesquisador Renato Bandeira. Pelo jeito, a cangaceira desmente um pouco a tradição de que as mulheres do bando eram todas bonitas. Entretanto, Áurea, superava seus dotes físicos pela simpatia. Era a companheira de Mané Moreno. Depois de Maria Bonita, foi a que teve a morte mais cruel. Decapitada, pela volante de Odilon Flor num intenso tiroteio juntamente com seu companheiro Moreno. Sua cabeça ficou exposta feito troféu para alegria da polícia durante dias. Deixou registrada sua simpatia enquanto morou nas...

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A CANGACEIRA FOGOSA

           Nascida em Santana de Ipanema, Bahia, Jovina  filha de agricultores namorava com Lino de Souza. Ele, mesmo sendo pacato resolveu entrar no Cangaço e pouco tempo depois, já era chefe de um subgrupo de Lampião. Sentindo-se importante, foi buscar a namorada no ano de 1936. Lino recebeu o apelido de Pancada (não se sabe o motivo) e sua jovem companheira passou a chamar-se de Maria de Pancada. Era comunicativa e de personalidade forte, mas a sua característica principal era a libertinagem, na linguagem do bando. Tida como a mais fogosa do bando, traiu Pancada várias vezes com os companheiros do bando e numa das ocasiões, Corisco, quis matá-la, pois esse tipo de comportamento não era permitido no Código de Honra Cangaceiro. Dizem que o seu companheiro vivia mal-humorado… Entretanto, o apetite sexual de Jovina falava mais alto. Após a morte de Lampião, ela se entregou à polícia e voltou para a família. Escapou da morte várias vezes. Um caso raro no Cangaço. Aqui, ela está junto de...

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a cangaceira suicida

  Ainda era bem cedo quando Rosalva andava com certa dificuldade e cuidado para não derrubar os baldes com água que apanhara na cacimba a cinco quilômetros de casa. Levava um na cabeça e dois em cada mão. Coisa de equilibrista. A moça tinha intimidade com esse serviço, pois era sua obrigação de todos os dias. E ainda conseguia cantarolar. Geralmente tinha companhia, mas nesse dia, ela voltava só e seu canto foi interrompido quando dois homens surgiram na sua frente. Rosalva estremeceu. Reconheceu que eram cangaceiros. Assustada, jogou os baldes no chão e saiu em disparada e os cangaceiros atrás. Os homens não alcançaram a jovem logo, pois com 16 anos, tinha agilidade e força nas pernas. Presa pelos dois, não tinha como resistir. Foi desvirginada por eles. Terminado o ato, ela não pensou duas vezes e disse em tom decidido: “vou com vocês! Não adianta voltar para casa, pois ninguém vai se casar comigo. Estou perdida”. Os cangaceiros relutaram em aceitar a inesperada companheira, mas não havia outro jeito. E foi assim, que Rosalva entrou no bando. Sua tarefa era fazer o apanhado, ou seja, recolher os objetos furtados e dividir com o grupo. E numa dessas vezes, ao entrar numa casa invadida, Rosalva se deparou com uma mulher grávida ensandecida, que partiu para cima dela com uma faca e cortou feio o seu braço. Rosalva gritou de dor, e o cangaceiro Roxinho tentou socorrer a companheira chutando a faca. Viu então, que a agressora estava grávida e entregou a arma dizendo – mate a vagabunda! Rosalva, sabia que a ordem era para ser cumprida, mas a...

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78 anos depois….

Maria Bonita jamais poderia imaginar que os versos da música que a chamava para tomar café, iriam ser tão reais. Ela acordou sim, mas não tomou o café, porque a polícia chegou, pois já “estava de pé ”. Assim cantava a música e assim aconteceu. Foi numa quinta-feira chuvosa, ao amanhecer de 1938, julho, dia 28.  Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros, ainda sonolentos foram “acordados” com a rajada de metralhadora em cima deles. Assustados, alguns conseguiram escapar do massacre correndo por trás da grota.  Lampião e sua Maria foram os primeiros a morrer, inclusive degolados.  Maria, a bonita, foi degolada ainda viva. A notícia se espalhou com rapidez, mesmo numa época de comunicação precária. A partir daí, o casal ganhou notoriedade, versões sobre morte e vida, sobretudo no Cordel. E nasceu o mito. E hoje, 78 anos depois (parece que foi ontem), a fama de Lampião permanece acesa. No Nordeste, as lembranças pipocam em forma de teatro, palestras, missas, documentários etc. E Maria Bonita faz parte desse contexto. A grota de Angico, fica em Sergipe nas proximidades do Rio São Francisco e era “porto” seguro para o bando, mas a traição de um coiteiro deu um final trágico a essa história.  Insatisfeitos com as mortes, a volante se voltou para a caça ao tesouro levando todas as joias e dinheiro guardados nos bornais. As orações de proteção, entre elas, a da Pedra Cristalina que o casal levava junto foram deixadas no chão sangrento junto com os corpos e os cachorros ensanguentados. As cabeças foram cortadas e exibidas em público como troféus conquistados numa olimpíada. Foi uma vitória...

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