Essas mulheres...

O nosso blog está renovado em novo formato. Vamos continuar divulgando mulheres vencedoras, pioneiras, líderes e que venceram com seus talentos nos mais diversos segmentos da sociedade e que hoje brilham, ocupam o pódio antes reservado aos homens. A mulher cangaceira aqui, não tem o sentido exato da palavra (aquela que andava em bandos com cangaceiros), mas significando liderança, vitória conquistada através do valor individual. Entretanto, a proposta inicial permanece: destacar as mulheres que de alguma maneira se envolveram com o Cangaço “sem perder a ternura”. Todas são Marias Bonitas.

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A MAIOR PIRATA

Ching Shih  nasceu em 1775 na China e tornou-se uma das  piratas mais famosas, temidas e malvadas do mundo. Não tinha perna de pau e nem tapa olho, muito menos papagaio no ombro. Antes, ela foi prostituta e casou com o também pirata Zheg Yi que foi seu mestre. Agiam em dupla, mas com a morte dele, Ching assumiu o comando da equipe. Uma das primeiras providências foi redigir o Código de Conduta e assim, controlou 1 500 navios com 80 mil homens, saqueando navios na costa do Mar do Sul da China espalhando mortes e terror. A meta era conquistar os sete mares. Tornou-se a maior pirata do mundo e a grande preocupação do governo chinês. Em troca de paz, o governo lhe ofereceu anistia para ela e seus subordinados. Aceitou. Pouco tempo depois, era dona de um dos mais luxuosos bordéis da China. Morreu em...

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VERôNICA, A MISTERIOSA

Uma mulher cheia de segredos e mistérios. Foi essa a imagem que essa cangaceira deixou no Bando de Lampião. Casada com o cangaceiro Beija-Flor, os dois passaram pouco tempo no grupo. Um dia, para surpresa de todos, Lampião permitiu que o casal tirasse uma “licença” e fosse para o Raso da Catarina, Bahia. Atitude essa do chefe que surpreendeu a todos, pois ele não permitia afastamento de ninguém. E de lá, os dois sumiram. Somente com a morte de Lampião em 1938, o casal aparece em Jeremoabo, também na Bahia,  vestido com roupas de couro, como se fossem vaqueiros. Outro mistério. Nessa aparição, nunca disseram o que faziam, onde moravam, muito menos qual argumento apresentado a Lampião que permitiu o afastamento do casal. Sumiram de novo. Mas em 1965, Verônica  foi vista em São Paulo. A partir daí, nada de soube dela…Entrou e saiu do Cangaço de modo estranho. Ilustração...

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CANGACEIRA TESTEMUNHA

  O nome era esquisito: Maria Ema, e o apelido pior – Maria Bandida, uma sergipana nascida em Propriá e entrou no bando de Lampião para ser a companheira do cangaceiro Velocidade. Ela era encarregada de fazer compras para o grupo, portanto, tinha obrigação de ser discreta e usar bons disfarces. E era, pois nunca foi flagrada. Ficou na história cangaceira por ter testemunhado o acidente com Maria Bonita, nas proximidades de Garanhuns, Pernambuco, na véspera de São João em 1935. A mulher do capitão foi baleada nas costas durante emboscada da polícia. Maria Ema assistiu tudo e acompanhou o grupo pela madrugada até um sítio em Buíque, lugar seguro onde Maria Bonita recebeu os cuidados dos ferimentos até sarar. Nessa emboscada, morreu um dos cachorros da rainha do Cangaço e Maria Bandida foi testemunha ocular de tudo. Poderia ter sido uma valiosa fonte de informação, mas, infelizmente, ninguém percebeu essa...

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A PRESIDENTE BÁRBARA

Nascida no Exu, Pernambuco em 1760, Bárbara Pereira de Alencar foi uma revolucionária de 1817 e da Confederação do Equador (1824), movimentos que visavam a independência do Brasil. Ela é o maior símbolo da mulher guerreira, idealista, uma das líderes da Revolução de 1817 no Crato, Ceará onde morava. Ainda criança, saiu de sua cidade para o Crato e muito jovem casou-se com o comerciante português José Gonçalves dos Santos. Foi no Cariri que Bárbara projetou-se no cenário político nas lutas em prol da independência numa época em que o  empoderamento e feminismo não se ouviam falar uma vez que o Nordeste patriarcal mantinha suas mulheres na cozinha. Mas seus ideais libertários incomodavam o governo. Perseguida política enfrentou a situação corajosamente acompanhada dos filhos. Nessa luta Bárbara proclamou a República do Crato e foi assim, a presidente do Brasil. A primeira. Mas seu governo durou apenas oito dias.  Presa, aliás, a primeira presa política do País, viveu três anos numa cela subterrânea em Fortaleza. Morreu no Piauí em 1832. Apesar da sua importância história\política, a memória dela é pouco cultuada. A casa onde morou no Crato foi demolida e no seu lugar encontra-se um órgão público. Entretanto, no Exu, na casa onde nasceu existe o Centro Cultural Bárbara de Alencar. Bárbara é avó do poeta José de Alencar e a escritora Raquel de Queirós é sua descendente....

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NO DIA DELA

    Maria Bonita, a amada companheira de Lampião, quase 80 anos depois de morta, ainda inspira poetas e compositores. Nesta edição, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, e do seu nascimento, transcrevemos esse belo e recente poema do talentoso Robson Sampaio,  poeta, jornalista e escritor.  A ilustração de Wilton Souza enriquece os versos.     Adeus, meu Capitão!   Sol de fogo, terra batida, punhal e mosquetão. Treme a caatinga com medo do Capitão.   Calam-se, as armas! Maria Bonita com a flor na mão. Treme em desejos o amor de Lampião.   Fogo cruzado, tocaia grande, só danação! Treme Angico, Adeus, meu Capitão!  ...

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DÓREA, A DEGOLADA

  Maria Dórea foi uma cangaceira do Bando de Lampião que poderia ter passado despercebida na história do Cangaço, se não fosse sua morte tão trágica, parecida com a de Maria Bonita, uma vez que também foi degolada pelos volantes de José Rufino e José Vieira.  Tudo aconteceu em outubro de 1933 numa emboscada em Manari. Bahia.  Foram 15 minutos de tiroteio quando morreram cinco cangaceiros, entre eles, Zabelê, companheiro de Dórea. Depois da chacina, os soldados avançaram nos bornais e corpos para tirar dinheiro e joias, saquearam tudo. Os dedos também foram cortados para facilitar a retirada dos anéis de ouro. A cena foi cruel, sobretudo com as cabeças cortadas como faziam os volantes para demonstrar valentia e vitória. Eram troféus. Na refrega, os cangaceiros Arvoredo, João Calais e duas mulheres desconhecidas conseguiram escapar. Desapareceram no mundo. A ilustração é de Alan...

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