Essas mulheres...

O nosso blog está renovado em novo formato. Vamos continuar divulgando mulheres vencedoras, pioneiras, líderes e que venceram com seus talentos nos mais diversos segmentos da sociedade e que hoje brilham, ocupam o pódio antes reservado aos homens. A mulher cangaceira aqui, não tem o sentido exato da palavra (aquela que andava em bandos com cangaceiros), mas significando liderança, vitória conquistada através do valor individual. Entretanto, a proposta inicial permanece: destacar as mulheres que de alguma maneira se envolveram com o Cangaço “sem perder a ternura”. Todas são Marias Bonitas.

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CATARINA, A SECRETÁRIA

Ela nasceu no povoado  Brejo de Burgo, pertencente a Glória, antigo nome de Paulo Afonso, Bahia  e recebeu o nome de Catarina Maria da Conceição. Sua família tinha o DNA do Cangaço, uma vez que suas cinco irmãs eram cangaceiras do bando de Corisco, inclusive ela. Seus nomes:  Júlia, Rosa, Joana, Sabrina e Joaquina que tinham seus companheiros no mesmo bando. Catarina era uma curibeca, no dizer do pesquisador Renato Bandeira, ou seja, uma mestiça.  Entrou no Cangaço para seguir  Nevoeiro, mas ele morreu logo em combate.  Quando esteve com Corisco,  Catarina virou uma espécie de secretária de Dadá, a mulher de Corisco, o mais famoso cangaceiro depois de Lampião. Catarina seguia os passos da estilista do Cangaço ajudando nas tarefas,  fazendo seus mandados etc. Como não poderia ficar solteira,  segundo rezava o regulamento cangaceiro, Catarina foi ser a companheira de Sabonete, o secretário de Maria Bonita.  Mudou de grupo. Os dois tinham pontos em comum, como ter família no Cangaço e serem secretários das mais famosas cangaceiras. Sabonete era irmão de Borboleta. Nascido Manuel Rosa, Sabonete  foi morto em combate em 1932. Ele aparece no filme de Benjamin Abraão entregando joias a Maria Bonita. A ilustração do texto é da artista plástica Luciana...

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NOSSA AGRôNOMA PREMIADA

  Victória  Rossetti foi a nossa primeira engenheira agrônoma. Ela nasceu em São Paulo, no ano de 1917. Era filha de imigrantes italianos e desde cedo mostrou curiosidade pela agronomia, pois morava numa  fazenda  Parnamirim, do seu pai. Estudou na Faculdade ESALAB e terminou o curso em 1939. No ano seguinte, já trabalhava no Instituto Biológico onde desenvolveu seus trabalhos voltados para doenças dos citros. Estudou também nos Estados Unidos por meio de uma bolsa da Fundação Guggenheim e na Universidade de Berkeley, na Califórnia e ainda fez especialização em fungos em Riverside. Ainda nos Estados Unidos participou de vários cursos. De volta ao Brasil, ganhou fama e foi a única mulher a receber a Medalha Luiz Queiroz, reconhecimento máximo da ESLAB, onde Victória fez universidade. Deixou inúmeros mais de 300 trabalhos publicados espalhados no exterior e Brasil. Recebeu  vários prêmios e condecorações. Era membro da Academia Brasileira de Ciências. Morreu em São Paulo, no ano de 2010, aos 93 anos de...

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JOANA, A AZARENTA

. Nascida Joana Conceição dos Santos, era uma das poucas mulheres do bando que sabia atirar de fuzil e participou de duas refregas. Sarará, alta, magra, testuda,  no dizer do escritor Renato Bandeira. Prendia os cabelos com força para trás deixando sua testa ainda maior. Era do Bando de Lampião  e foi a companheira de  Antônio de Engrácia  durante quatro anos até que ele morreu  “de sucesso”, ou seja, em combate na linguagem cangaceira. Logo depois, ela juntou-se ao cangaceiro Jacaré e não demorou muito, ele que morreu do mesmo jeito. Os companheiros  começaram a suspeitar que Joana era azarenta e a expulsaram do bando. Nenhum quis mais juntar-se a ela. Não se sabe que rumo tomou. Desapareceu no horizonte das caatingas. Quando se fala em cangaceira, a maioria imagina uma mulher bandida, uma vez que a imprensa da época desdenhava delas, desconhecendo os motivos que a levaram a entrar no bando. Ter liberdade de escolha, sair do domínio paterno, ter dinheiro, joias, conhecer “o mundo”, numa ilusão de vida. Enfim, fizeram suas escolhas. Poucas foram raptadas e se acostumaram ao novo estilo de vida. Tiveram também seus dias de...

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O SUMIÇO DE FLORÊNCIA

A filha de Josefá Calango, era baiana e companheira de Rio Branco. O casal pertencia ao Bando de Corisco e entrou no Cangaço nos últimos tempos, já perto de esse  movimento ser extinto. Eles queriam deixar aquela vida e ter uma mais sossegada, com base na anistia dada pelo governo, após a morte de Lampião em 1938. O último bando, o de Corisco, em 1940 composto por poucos cangaceiros, resolveu debandar e se esconder em uma fazenda de amigos, para amadurecer a ideia de fuga ou de entrega. Estavam com o casal Corisco e  Dadá nas imediações de Bom Jesus da Lapa, Bahia. Florência, se preparava para levar a afilhada Zefinha, de 10 anos de idade nessa empreitada. Enquanto pensavam na viagem, foram lavar roupa numa lagoa próxima da casa. Sorte deles. Nesse instante, a volante de Zé Rufino, com 18 soldados, emboscou Corisco e Dadá. O cangaceiro morreu e Dadá ficou ferida dando um novo rumo a história. Sorte, teve Florência e o companheiro que, escaparam da morte violenta e desapareceram no mundo. “Até hoje…” A ilustração é do pintor Charles Machado...

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A IRMÃ DE LAMPIÃO

Maria Ferreira de Queiroz era a sétima irmã de Virgolino  também nascida no Sítio Passagem das Pedras , zona rural de Serra Talhada, Pernambuco, às margens do Riacho São Domingos.  Recebeu o apelido de Mocinha e chegou aos 102 anos de idade sendo chamada de Mocinha. Ela não viveu o Cangaço, mas acompanhava a vida perigosa do irmão famoso. Confessou, que só esteve com ele apenas uma única vez quando sua fama ultrapassava fronteiras. Para ela, Lampião “era tudo” e nunca se conformou com o seu assassinato. ” Mataram ele como se mata um bicho, e isso não se faz com ser humano”. Como toda biografia dos cangaceiros é controvertida, a de Mocinha não foge à regra, mesmo sem ter entrado no bando, pois há contradições com relação a sua idade. Ela tinha dois documentos com datas diferentes no ano de nascimento. Um, de 1910 e outro de 1906. Assim, ela teria morrido com 106 anos e não aos 102 como foi divulgado. Estava morando em São Paulo, no bairro de Santana na companhia de dois filhos: Expedito e Valdeci. Em 2009, dona Mocinha teve uma grande alegria, veio ao Recife conhecer parte dos descendentes dos Ferreira. Eram sobrinhos, primos, netos e bisnetos. Foram cinco dias de confraternização. Entre as netas, Sandra Queiroz, da Polícia Civil. Dona Mocinha morreu em 2012 de insuficiência...

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ÁUREA, “MISS SIMPATIA”

  O Cangaço teve seus momentos tristes, cruéis, sangrentos e não menos chocantes. Alegrias existiram sim, eram poucas, mas intensas. As mulheres entraram nesse mundo, por três motivos: paixão pelo companheiro, fuga (para sair do domínio paterno) e rapto. A maioria não entrava enganada, sabia da vida perigosa que iria ter, mas o desconhecido não amedrontava. Áurea, era sergipana filha de Tonho Narcísio, nascida em Pau Preto. Baixinha, magra, cabelo pixaim e tinha uma “cor de formiga”, como diz o pesquisador Renato Bandeira. Pelo jeito, a cangaceira desmente um pouco a tradição de que as mulheres do bando eram todas bonitas. Entretanto, Áurea, superava seus dotes físicos pela simpatia. Era a companheira de Mané Moreno. Depois de Maria Bonita, foi a que teve a morte mais cruel. Decapitada, pela volante de Odilon Flor num intenso tiroteio juntamente com seu companheiro Moreno. Sua cabeça ficou exposta feito troféu para alegria da polícia durante dias. Deixou registrada sua simpatia enquanto morou nas...

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