Essas mulheres...

O nosso blog está renovado em novo formato. Vamos continuar divulgando mulheres vencedoras, pioneiras, líderes e que venceram com seus talentos nos mais diversos segmentos da sociedade e que hoje brilham, ocupam o pódio antes reservado aos homens. A mulher cangaceira aqui, não tem o sentido exato da palavra (aquela que andava em bandos com cangaceiros), mas significando liderança, vitória conquistada através do valor individual. Entretanto, a proposta inicial permanece: destacar as mulheres que de alguma maneira se envolveram com o Cangaço “sem perder a ternura”. Todas são Marias Bonitas.

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DÓREA, A DEGOLADA

  Maria Dórea foi uma cangaceira do Bando de Lampião que poderia ter passado despercebida na história do Cangaço, se não fosse sua morte tão trágica, parecida com a de Maria Bonita, uma vez que também foi degolada pelos volantes de José Rufino e José Vieira.  Tudo aconteceu em outubro de 1933 numa emboscada em Manari. Bahia.  Foram 15 minutos de tiroteio quando morreram cinco cangaceiros, entre eles, Zabelê, companheiro de Dórea. Depois da chacina, os soldados avançaram nos bornais e corpos para tirar dinheiro e joias, saquearam tudo. Os dedos também foram cortados para facilitar a retirada dos anéis de ouro. A cena foi cruel, sobretudo com as cabeças cortadas como faziam os volantes para demonstrar valentia e vitória. Eram troféus. Na refrega, os cangaceiros Arvoredo, João Calais e duas mulheres desconhecidas conseguiram escapar. Desapareceram no mundo. A ilustração é de Alan...

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MODA CANGACEIRA

Uma versão moderna em cores de Rubens Antonio   Chamativas, sim. Exóticas  também. Despertavam curiosidades por onde elas passavam e às vezes amedrontavam as mulheres em virtude da fama de valentonas. Elas, as cangaceiras, usavam vestidos de mescla azul-cinza de mangas compridas e a saia vinha até os joelhos. Galões e sianinhas coloridos davam os detalhes dando aquele charme. Sandálias de couro e meias longas e algodão para livrar-se dos espinhos pelo caminhar nas caatingas, assim como as luvas de tecidos e bordadas  no capricho com flor de lis. Este, era o traje do dia a dia, mas existiam outros, os de festas, geralmente em seda ou outro tecido fino. Como não tinham casa, levavam todos os pertences no corpo, inclusive as roupas vestidas uma por cima da outra. Nos bornais de pano resistente e criativos idealizados pela cangaceira Dadá, levavam remédios caseiros, perfumes (Dorli e Serenata), batons (indispensáveis), pentes, orações etc. No pescoço, além dos lenços de seda, trancelins, correntes, cordões de ouro. Muito ouro. Quanto mais, demonstrava o poder aquisitivo do companheiro. E muitos anéis nos dedos. Na cabeça, o chapéu de feltro e nunca o de couro usados pelos homens. Estavam prontas para enfrentar os perigos elegantes. Como eram vaidosas…...

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MODA MARIA BONITA

Ela morreu há 78 anos, mas parece que foi ontem. Sua influência no Cangaço extrapolou tempo, fronteiras, passou a ser sinônimo de mulher forte. Virou uma marca nordestina, igual ao companheiro Lampião. Ambos, são mitos e mitos não morrem.  Maria Bonita ditou moda, inspirando estilistas de épocas variadas. E agora, sua influência chega aos bebés, nas roupinhas bem trabalhadas. Alguém teve essa ideia e já é sucesso. Ninguém poderia imaginar que isso fosse acontecer algum dia. As roupinhas em formato de body podem ser  adquiridas na internet no Mercado Livre a R$ 36,00. Aliás, desde 1969, a Rainha do Cangaço inspira moda, a exemplo da grife Maria Bonita um sucesso garantido até hoje. Vaidosa e charmosa, ela soube ser um ponto fora da curva  e isso nos anos 30, nas caatingas nordestinas é no mínimo um espanto. Ela empresta seu nome a restaurantes, pousadas, salões de beleza, boutiques e tudo que remeta ao belo, pois assim, essa corajosa baiana  é lembrada. Não é à toa que ficou conhecida como Maia Bonita. Para sempre bela e mote literário indo do romance ao cordel.  Viva Maria! Estilizado, a moda cangaceira é sucesso garantido para adulto e...

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CATARINA, A SECRETÁRIA

Ela nasceu no povoado  Brejo de Burgo, pertencente a Glória, antigo nome de Paulo Afonso, Bahia  e recebeu o nome de Catarina Maria da Conceição. Sua família tinha o DNA do Cangaço, uma vez que suas cinco irmãs eram cangaceiras do bando de Corisco, inclusive ela. Seus nomes:  Júlia, Rosa, Joana, Sabrina e Joaquina que tinham seus companheiros no mesmo bando. Catarina era uma curibeca, no dizer do pesquisador Renato Bandeira, ou seja, uma mestiça.  Entrou no Cangaço para seguir  Nevoeiro, mas ele morreu logo em combate.  Quando esteve com Corisco,  Catarina virou uma espécie de secretária de Dadá, a mulher de Corisco, o mais famoso cangaceiro depois de Lampião. Catarina seguia os passos da estilista do Cangaço ajudando nas tarefas,  fazendo seus mandados etc. Como não poderia ficar solteira,  segundo rezava o regulamento cangaceiro, Catarina foi ser a companheira de Sabonete, o secretário de Maria Bonita.  Mudou de grupo. Os dois tinham pontos em comum, como ter família no Cangaço e serem secretários das mais famosas cangaceiras. Sabonete era irmão de Borboleta. Nascido Manuel Rosa, Sabonete  foi morto em combate em 1932. Ele aparece no filme de Benjamin Abraão entregando joias a Maria Bonita. A ilustração do texto é da artista plástica Luciana...

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NOSSA AGRôNOMA PREMIADA

  Victória  Rossetti foi a nossa primeira engenheira agrônoma. Ela nasceu em São Paulo, no ano de 1917. Era filha de imigrantes italianos e desde cedo mostrou curiosidade pela agronomia, pois morava numa  fazenda  Parnamirim, do seu pai. Estudou na Faculdade ESALAB e terminou o curso em 1939. No ano seguinte, já trabalhava no Instituto Biológico onde desenvolveu seus trabalhos voltados para doenças dos citros. Estudou também nos Estados Unidos por meio de uma bolsa da Fundação Guggenheim e na Universidade de Berkeley, na Califórnia e ainda fez especialização em fungos em Riverside. Ainda nos Estados Unidos participou de vários cursos. De volta ao Brasil, ganhou fama e foi a única mulher a receber a Medalha Luiz Queiroz, reconhecimento máximo da ESLAB, onde Victória fez universidade. Deixou inúmeros mais de 300 trabalhos publicados espalhados no exterior e Brasil. Recebeu  vários prêmios e condecorações. Era membro da Academia Brasileira de Ciências. Morreu em São Paulo, no ano de 2010, aos 93 anos de...

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JOANA, A AZARENTA

. Nascida Joana Conceição dos Santos, era uma das poucas mulheres do bando que sabia atirar de fuzil e participou de duas refregas. Sarará, alta, magra, testuda,  no dizer do escritor Renato Bandeira. Prendia os cabelos com força para trás deixando sua testa ainda maior. Era do Bando de Lampião  e foi a companheira de  Antônio de Engrácia  durante quatro anos até que ele morreu  “de sucesso”, ou seja, em combate na linguagem cangaceira. Logo depois, ela juntou-se ao cangaceiro Jacaré e não demorou muito, ele que morreu do mesmo jeito. Os companheiros  começaram a suspeitar que Joana era azarenta e a expulsaram do bando. Nenhum quis mais juntar-se a ela. Não se sabe que rumo tomou. Desapareceu no horizonte das caatingas. Quando se fala em cangaceira, a maioria imagina uma mulher bandida, uma vez que a imprensa da época desdenhava delas, desconhecendo os motivos que a levaram a entrar no bando. Ter liberdade de escolha, sair do domínio paterno, ter dinheiro, joias, conhecer “o mundo”, numa ilusão de vida. Enfim, fizeram suas escolhas. Poucas foram raptadas e se acostumaram ao novo estilo de vida. Tiveram também seus dias de...

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