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78 anos depois….

Maria Bonita jamais poderia imaginar que os versos da música que a chamava para tomar café, iriam ser tão reais. Ela acordou sim, mas não tomou o café, porque a polícia chegou, pois já “estava de pé ”. Assim cantava a música e assim aconteceu.

Foi numa quinta-feira chuvosa, ao amanhecer de 1938, julho, dia 28.  Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros, ainda sonolentos foram “acordados” com a rajada de metralhadora em cima deles. Assustados, alguns conseguiram escapar do massacre correndo por trás da grota.  Lampião e sua Maria foram os primeiros a morrer, inclusive degolados.  Maria, a bonita, foi degolada ainda viva. A notícia se espalhou com rapidez, mesmo numa época de comunicação precária. A partir daí, o casal ganhou notoriedade, versões sobre morte e vida, sobretudo no Cordel. E nasceu o mito.

E hoje, 78 anos depois (parece que foi ontem), a fama de Lampião permanece acesa. No Nordeste, as lembranças pipocam em forma de teatro, palestras, missas, documentários etc. E Maria Bonita faz parte desse contexto.

A grota de Angico, fica em Sergipe nas proximidades do Rio São Francisco e era “porto” seguro para o bando, mas a traição de um coiteiro deu um final trágico a essa história.  Insatisfeitos com as mortes, a volante se voltou para a caça ao tesouro levando todas as joias e dinheiro guardados nos bornais. As orações de proteção, entre elas, a da Pedra Cristalina que o casal levava junto foram deixadas no chão sangrento junto com os corpos e os cachorros ensanguentados. As cabeças foram cortadas e exibidas em público como troféus conquistados numa olimpíada. Foi uma vitória do então governo Vargas que perseguia os cangaceiros.

Os “troncos” de Maria Bonita e Lampião ficaram lá amarrados um ao outro significando que o amor deles era eterno. E foi. Os versos do poeta Marcos Accioly retratam bem: “Não sei se é lenda ou verdade\Seu moço, falo por mim\ A lenda sempre começa\Quando uma história tem fim….”

Ilustração de Vladimir Barros







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