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A HERDEIRA EUFRÁSIA

Eufrásia Teixeira, sempre teve sorte na vida. Nascida em família rica, de investidores financeiros, descendentes de barões, inclusive do barão de Itambé, estudou na Escola de Madame Crivet, a preferida da aristocracia do século no Rio de Janeiro. Aprendeu boas maneiras, francês e tocar piano como as moças prendadas programadas para o lar. Nascida em Vassouras , Rio de Janeiro no ano de 1850, Eufrásia herdou com a morte dos pais, em 1872, uma das maiores fortunas do mundo, juntamente com sua Irmã Francisca, equivalente a 5% das exportações do Brasil na época, uma fortuna comparada a 1.850 quilos de ouro.

O pai, Joaquim , fundou a Casa Teixeira Leite & Sobrinhos, que emprestava dinheiro a juros, especialmente para altos comerciantes e cafeicultores prósperos. E com o pai, Eufrásia aprendeu a lidar com finanças e entrou no ramo dos negócios após vender quase tudo e foi com a irmã morar em Paris em 1873.

Na viagem de navio, conheceu Joaquim Nabuco, o abolicionista que, estava na França como diplomata. O romance começou ali, em alto mar e durou 14 anos, sobretudo com troca de cartas (algumas estão no Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Socias, no Recife).

Em Paris, Eufrásia comprou uma casa de quatro andares, situada próxima ao Arco do Triunfo. Herdando o DNA do pai, ela estava mais interessada em investimentos financeiros e tratou de fazer boas amizades com os poderosos franceses. Em pouco tempo, ampliou seus negócios para outros países da Europa. Foi à primeira mulher a entrar no recinto da Bolsa de Valores de Paris.

Investiu alto na área de tecnologia aproveitando a fase da segunda revolução industrial. Deu-se bem. Pouco tempo depois, recebeu nova herança: sua irmã mais nova morreu. Eufrásia já havia recebido outras heranças como a dos avós paternos, também ricos investidores na agricultura do café. Todas as ações, apólices, títulos de crédito, imóveis e até escravos passaram para Eufrásia. Uma predestinada a receber heranças e ser rica.

Mas seu romance com Nabuco era complicado, uma vez que Joaquim tinha suas ambições políticas no Brasil, e ela interesses financeiros na Europa. Nenhum queria ceder. Por isso, as correspondências eram frequentes. Essa situação durou 14 anos até que, também por carta, Eufrásia propôs o fim do relacionamento. Joaquim casou dois anos depois, com Eveline, o oposto de Eufrásia.

Em 1928, a poderosa e destemida Eufrásia, resolve voltar ao Brasil e foi morar em Copacabana só com os empregados. Nunca casou e sem descendentes, com a saúde já debilitada, ela não podia viajar, mas teve condições de doar seus bens que restavam a Santa Casa, ao Colégio Salesiano, aos mendigos da rua em que morava em Paris, aos empregados, etc.

Eram imóveis, títulos de dívidas do governo, a casa de Paris avaliada em 10 milhões de euros, um loteamento em Copacabana. O espólio era estimado em 37 milhões.
Com sua morte em 1930, primos distantes brigaram durante seis anos por sua herança. Mas essa já passa a ser outra história.

Eufrásia Teixeira Barbosa deixou sua marca no mundo das finanças até então, privilégio do pódio masculino. Merece aplausos!

NOTA DA EDITORA – A palavra cangaceira aqui tem a conotação de mulher talentosa, guerreira, corajosa que desafiou o seu tempo e fez história, seja neste século ou não. Desde que ela seja pioneira e tenha deixado sua marca na história que está sendo contada neste blog. É uma maneira de aplaudir essas mulheres que foram ou são divas de alguma maneira.







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