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A PRIMEIRA JORNALISTA

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Ela veio do Rio Grande do Norte, da cidade de Papari, hoje chamada Nísia Floresta em sua homenagem. Nasceu em 12 de outubro de 1810, e os historiadores a consideram a primeira jornalista do Brasil. Começou a escrever nas edições iniciais do jornal Espelho das Brasileiras, no Recife e que, apesar da época (1831) voltada para o público feminino, os temas eram sobre as condições de vida das mulheres nas diversas culturas. Foi um espanto, mas agradou.

Sempre à frente do seu tempo, no ano seguinte publicou seu primeiro livro “ Direito das mulheres e injustiça dos homens”. Casou-se aos 13 anos de idade, mas separou-se pouco tempo depois e em seguida voltou para o Recife.   Casou pela segunda vez em 1828 com Manoel Augusto de Faria Rocha, estudante de direito e, dois anos depois teve a primeira filha, Lívia Augusta. Ficou viúva e foi para o Rio Grande do Sul dirigir um colégio para meninas. A Guerra dos Farrapos interrompeu seus projetos e ela vai morar no Rio de Janeiro, onde funda e dirige os colégios Brasil e Augusto que ficaram famosos pelo alto nível de ensino.

Em 1849 sua filha adoeceu gravemente e Nísia a levou para Europa por recomendação médica. Inicialmente ficou em Paris, depois Itália e Alemanha. Mas foi na França onde publicou Opúsculo Humanitário, uma coleção de artigos sobre emancipação feminina merecedora de elogios de Augusto Comte, pai do Positivismo. Trocava cartas com intelectuais famosos.

Com sua vida e temperamento inquietos, Nísia voltou ao Brasil em 1872/1875 participando da campanha abolicionista liderada por Joaquim Nabuco. De volta a Europa, publica Fragmentos de uma biografia, seu último trabalho.

Publicou ainda vários livros inclusive em inglês e deixou sua colaboração em jornais brasileiros, entre eles, O Liberal, Jornal o Comercio, Brasil Ilustrado e outros.

Nísia era filha do português Dionísio Gonçalves Pinto com a brasileira Antonia Clara Freire e recebeu o nome de Dionísia. Adotou o nome de Nísia (diminutivo do nome) e Floresta por ser o nome do sítio onde nasceu. Morreu na França aos 74 anos de idade vítima de pneumonia. Seus restos mortais só vieram para o Rio Grande do Norte em 1954.

O escritor potiguar Veríssimo de Melo escreveu que Nísia Floresta “foi a mais notável mulher que o Rio Grande do Norte registra. Seu estilo se caracteriza pela serenidade, atesta. Seus livros são de grande valor, mas pouco divulgados e os artigos nos jornais eram sempre em defesa das mulheres, dos negros, dos escravos e dos índios, numa época em que a imprensa brasileira ainda engatinhava.

Além de educadora, escritora, jornalista e poetisa, sua grande preocupação era fazer da mulher uma pessoa útil e digna. Pensava grande e além do seu tempo. A história que diga.

Nísia foi uma Maria Bonita.







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