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MISSA CANGACEIRA

O sol de 35 graus da manhã de 29 de julho, não conseguiu afastar a multidão no Pátio do Museu do Cangaço, em Serra Talhada, Sertão Pajeú. Era a missa que assinalava os 80 anos da morte de Lampião e Maria Bonita. Os conterrâneos de Virgolino Ferreira ouviram atenciosos o sermão do padre Custódio Sá, que soube conduzir o ato dentro do Evangelho, e da Eucaristia destacando a injustiça social sem politizar dentro do cenário sertanejo atual e passado. Destacou o sacerdote, pedaços da vida perigosa de Lampião, sobretudo, quando ele ajudava aos mais necessitados.

A presença dos componentes do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião (de Serra Talhada) vestidos à caráter contribuiu para proporcionar um clima místico e ao mesmo tempo autêntico do Cangaço. O canto do coral acompanhado pelo trio musical, descontraiu. O Ofertório emocionou. Momento de fé e religiosidade tão forte no Sertão. Alguns “cangaceiros” depositaram aos pés do altar, suas armas, bornais, cantis, num gesto de entrega, desarmamento, humildade, tal qual os vaqueiros na missa criada pelo padre-vaqueiro João Câncio dos Santos, no Sertão de Serrita. Aliás, vaqueiro é um cangaceiro desarmado e também conhece os segredos das caatingas.

Neste ato, assim como o de Serrita, a rudeza do homem sertanejo passa a ser revestida em poesia e leveza, que só os sensíveis sabem valorizar. O Sertão, como disse Guimarães Rosa “está em todo lugar”.







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