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MULHER RENDEIRA

“ Olé  mulher rendeira, olé mulher rendá. Tu  m’ensina a fazer renda, que eu t’ensino a namorá….” Assim era que cantavam os cabras de Lampião pelas caatingas nordestinas alegres ou para espantar lamentos. A música de ritmo contagiante tornou-se o Hino do Cangaço e ainda hoje cantado em todo o Nordeste, 91 anos depois. E qual o motivo de tanto sucesso?

O compositor ?,O Cangaço? A música em si? A maioria acha que foi ter vindo de Lampião, que não morreu ….

Essa  toada  foi composta em 1926  por Lampião em homenagem a sua avó Jocosa Vieira. Aí, houve uma parceria com o cangaceiro Volta Seca, o músico do bando. Mais tarde, em 1957, o mesmo Volta Seca gravou essa música em LP pela Todamérica tornando-a  mais conhecida. O ritmo contagia.

A renda de bilro chegou no Brasil através dos portugueses e suas mulheres ensinaram as nordestinas. Há quem afirme ser a renda originária da Bélgica no século 15, mas foram os fenícios que a divulgaram com a comercialização.

E de início, a renda de bilro era utilizada apenas em peças sacras ou complementos de cortinas e das roupas dos nobres. Hoje, ela tornou-se artesanato de valor que dá requinte e charme onde é aplicada.

Confeccionada por meio de uma almofada, linha, desenho e o bilro, um pedacinho de madeira similar a um fuso que tece a renda. A batidinha de um com o bilro, gera um som ritmado. Ela veio para ficar imortalizada pelos cangaceiros.







2 Comentários

  1. Salete Rêgo Barros

    Quando criança, passava horas admirando a habilidade com que dona Terezinha e dona Lilia jogavam os bilros, pra lá e pra cá, em cima das almofadas, enquanto as rendas cresciam ligeiras, de quando em quando sendo enroladas num rústico cilindro de madeira, para que não encostassem no piso de cimento queimado. Enquanto isso, aguardava, esperançosa, que elas me dessem pedacinhos de renda para que eu enfeitasse as roupas da minha boneca de pano, a Maricota (mas isso só acontecia de vez em quando). Mesmo assim, espiar através da janela, pelo lado de fora, o feitio das rendas pelas duas “moças-velhas”, era um deleite para os meus sete, oito anos. Um espetáculo inesquecível, tesouro das memórias de minha infância.

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    • Wanessa Campos

      Bom que você recordou, Salete

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