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O MITO MARIA BONITA

No meio da noite, Maria Bonita,
És meu facho de luz
Estrela que brilha, que se precipita
O sol que ilumina domingos azuis
……………………………
Nosso amor é tão bonito
Que não morre nunca mais

São versos de Alceu Valença que ele imaginou Lampião recitando para Maria Bonita e que está no seu filme Luneta do tempo.
Essa Maria, que faz jus ao apelido, morreu há exatos 76 anos, num alvorecer de 28 de julho de 1938, em Sergipe. Sua morte, bem como a dos demais do bando só aconteceu ali, mediante uma traição. E hoje, mais de meio século depois, Maria Bonita e Lampião continuam reinando no imaginário popular.

Nesta data, vários eventos são realizados em cidades nordestinas relembrando o episódio para não deixar esquecer o que o casal representou. Serra Talhada, por exemplo, oferece um espetáculo ao ar livre grandioso.

A morte de Maria Bonita faz revoltar até mesmo um bandido. O seu algoz, o soldado da PM, Panta de Godoy, como era chamado, contou se vangloriando, que, após atirar pelas costas dela, cortar a sua cabeça ainda viva, “levantei a saia dela com a boca do fuzil para ver a cor da “caçola”. Era encarnada. Apanhei o bornal com mais de um quilo de ouro”. E ainda: outro soldado cortou a blusa para mexer.. Achando pouco, pepinaram todo o corpo dela com facão. Mas nada disso adiantou. Se a polícia pensou que com esse ato selvagem, ela e Lampião iriam ser esquecidos, se enganou.

A imprensa destacou essa crueldade, bem como o massacre do bando. Não houve tempo para defesa.

O Cordel foi o grande responsável na divulgação da mulher do capitão. Antes e depois de sua morte. E, até hoje os cordelistas têm facilidade em enaltecer os dotes dela.

Maria Bonita, uma baiana de Paulo Afonso, 76 anos depois de morta, empresta seu nome a restaurantes, boutiques, salões de beleza, grifes e, sobretudo inspiração na literatura e cinema. Isso porque ela teve coragem de romper paradigmas dos anos 30 e seguir seu amado pelas caatingas nordestinas até a morte. V irou mito.

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