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O OURO COBIÇADO

Nenê de Ouro\ quem te deu essa medalha ? Foi meu amô Luiz Pedro\ depois de uma batalha…

Resposta dada pela cangaceira apelidada de Nenê a uma companheira do Bando de Lampião, quando apareceu com uma imensa medalha reluzindo no vestido numa manhã qualquer em plena caatinga alagoana. Assim, reza a lenda. Nenê era a mulher de Luiz Pedro, o braço direito de Lampião.

O ouro se incorporava à vaidade no Cangaço, entre homens e mulheres. E quanto mais joias exibiam, maior era a situação financeira do cangaceiro. Uma ostentação. Maria Bonita, por exemplo, usava uma joia por cima da outra. Colares, pulseiras e anéis em todos os dedos. E Nenê não ficava atrás, daí o apelido.

Os cangaceiros gostavam de ver suas mulheres “cobertas” de ouro. As joias vinham de várias maneiras: pilhadas, presenteadas ou compradas dos ourives.

A vaidade delas atingia também os perfumes, a exemplo do Royal Briar, sucesso na década de 30. Batons, pó-de-arroz e rouge, não podiam faltar nos bornais, a “mochila” que carregam junto ao corpo. Uma das cangaceiras, entrou no bando porque queria usar maquiagem e o pai não deixava. A vida perigosa não amedrontava a jovem. Queria apenas usar batom e ser livre e feliz…E foi.

A fama do ouro no bando corria léguas no Sertão. Tanto que, após a chacina de Angico, em 1936, os soldados fizeram a festa avançando nas joias. Na pressa, eles contaram os dedos para retirar os aneis. E, como por encanto, esse tesouro teve destino ignorado….







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